[ editar artigo]

A origem da @OrniTwizy

A origem da @OrniTwizy

Sempre que falo sobre o trabalho da Orni, surgem perguntas, como por exemplo, Porque OrniTwizy, ou de onde surgiu a ideia do projeto, pensando nisso, resolvi escrever este post falando sobre como tudo começou, da formação da equipe e a origem da ideia, até inspiração do nome e a classificação para a pré-aceleração no RX.

O DESAFIO

As 23 horas e 30 min do dia 27 de fevereiro, recebo a ligação de um professor da universidade para falar sobre um desafio da Renault, no qual deveria criar um carro elétrico, como não sou de negar um desafio, aceitei. No dia seguinte foi adicionado a um grupo de whats app com outras quatro pessoas que foram designadas pelos professores e escolhido por suas habilidades dentro de cada área, compondo uma equipe multidisciplinar para representar a Universidade FEEVALE no Renault Experience pela primeira vez, dois destes integrantes, já conhecia de trabalhos em laboratórios da Feevale, mas os outros dois nunca tinha visto, após algum tempo conversando no grupo, percebi que era uma equipe boa, todos estavam bastante interessados em participar, até o momento da inscrição, quando pela primeira vez fomos capaz de entender um pouco do que deveria ser feito, e a pior parte, o prazo.

O CAOS

O caos começou quando descobrimos que a inscrição, era na verdade a primeira etapa do desafio, o desespero começou quando percebemos que já estava acontecendo a semanas e com muitas demandas de entrega atrasadas, sendo o limite para as entregas o dia primeiro de março, ou seja, restava pouco mais de 24 horas para encerrar. Foi uma tarde inteira de discussões e lamentações acerca de tudo o que deveríamos fazer para entregar em poucas horas tudo o que foi pedido, todos fizeram a inscrição na pagina do RX, para ter acesso as demandas e entregas, e mesmo com toda a força de vontade da equipe, decidimos que não seria possível completar a inscrição, não havia tempo hábil para realizar tudo o que estava sendo exigido, então desistimos, acabando com aquele caos de discussões no grupo.

A VERGONHA

Na manhã do dia primeiro, o ultimo dia para completar a inscrição, começou uma nova movimentação no grupo, em algum momento, alguém percebeu que estávamos os cinco inscritos no programa, com uma equipe que entregaria tudo em branco, sem absolutamente nada. Isto seria vergonhoso, afinal, nossos nomes estavam lá, então para não entregar em branco, o FELIPE, designer da equipe, sugeriu fazermos algum projeto simples e rápido apenas para ilustrar alguma ideia e não entregar nada em branco, e ainda se propôs a fazer os renders e imagens necessárias para deixar um visual um pouco mais ilustrativo.

Novamente o grupo ganhou vida, mas desta vez, com sugestões e ideias. Já no início surgiu a ideia de fazer um veículo adaptado para cadeirantes, de forma a facilitar o acesso ao veículo, a partir daí cada um foi acrescentando detalhes e funcionalidades ao projeto, cada um dentro de sua área, o MARCO na parte mecânica, o NICKOLAS e eu na parte elétrica e eletrônica, o FURLAN nos detalhes que envolviam a produção e o FELIPE no design, até mesmo o JUAN, que é o professor que nos acompanhou por todas as etapas, deu seus “pitacos” que foram fundamentais para a criação do projeto final, e os poucos foi ganhando corpo e se tornando um projeto robusto e sólido. Ao mesmo tempo foi surgindo um conceito em relação a inclusão e acessibilidade, misturando conceitos de igualdade e mobilidade, para criar ideia principal da equipe, que foi a base para tudo o que foi criado construído durante todas as etapas do desafio, juntamente com uma solução mecânica que criamos para representar a nossa ideia de projeto e apresentar um pouco no conceito que havíamos criado.

ORNITORRINCO

A parte mais interessante foi na discussão do nome do projeto, na primeira vez em que o Felipe anunciou a ideia do nome baseado no ornitorrinco, foi uma brincadeira, baseada nas mutações que o ornitorrinco sofreu com o tempo, e ninguém levou a sério, mas a ideia que estávamos tentando passar, é uma ideia de transformação, onde uma pessoa com alguma deficiência pudesse se adaptar e viver como qualquer pessoas sem deficiência, de forma igual e sem discriminações, sem distinções, e sem o olhar daquelas pessoas que discriminam só de ver as diferenças, o conceito do OrniTwizy se baseia em uma imagem de um mundo de igualdade onde as diferenças sejam aceitas e as pessoas sejam tratada por quem são e não por sua aparência. E é ai que entra o ornitorrinco, muitas pessoas acham o ornitorrinco um animal estranho e feio graças a suas patas com membranas entre os dedos e seu bico de pato que são incomuns em mamíferos como o ornitorrinco, mas na verdade é apenas um animal diferente, que encontrou muitas dificuldades no meio em que viveu e se adaptou a todas elas, se transformou de forma a fazer um ambiente difícil, hostil e inacessível em um ambiente próprio para viver, não se deixou levar por suas fraquezas, mas usou as fraquezas daquele ambiente para se desenvolver, se adaptar e se impor, e hoje vive neste mesmo lugar, e vive bem. As pessoas não entendem essas diferenças do ornitorrinco em relação a outros animais e assim o consideram feio, mas o ornitorrinco não é feio, somente diferente, e afinal, porquê o diferente também não pode ser bonito. No mundo em que nós acreditamos, o diferente também é bonito, e o que torna as coisas bonitas é o fato de serem diferentes, e isto torna o ornitorrinco, um grande exemplo da nossa ideia, e inspirado no ornitorrinco, surgiu o nome do projeto, “ORNI” de ornitorrinco e “TWIZY” do desafio Twizy (Twizy Contest) proposto pelo Renault Experience. E assim nasceu o OrniTwizy.

O CROISSANT

Tendo um conceito e uma ideia de projeto entregues, já era o suficiente para não deixar tudo em branco e não passar a vergonha da desistência, então os dias seguintes foram repletos de piadas e brincadeiras do tipo “Já pensou se nós ganhamos e vamos para a França com um projeto feito em algumas hora” em meio as piadas referentes ao sufoco e desespero de quando descobrimos que não dava mais tempo, e foi nisto o que se tornou o grupo da equipe por algum tempo, um grupo de “piadas dos atrasados”. Todos tinham certeza de que não passaríamos para a próxima etapa, então surgiram comentários como: “Se ganharmos, vamos ter que se entupir de CROISSANT na frente da torre Eiffel”. E a chacota não tinha limites, afinal não é sempre que se cria uma equipe para uma competição tão em cima da hora que não tem tempo hábil para nada, a certeza era tão grande que ninguém se preocupou em descobrir quando seria divulgado o resultado.

Até que o resultado saiu, e lá estava dentre os classificados, a OrniTwizy. Ninguém sabia se era outra piada, ou se era real. Por muito tempo, ninguém entendeu o que havia acontecido, mas não foi somente um projeto feito em cima da hora, a ideia e os conceitos que foram criados iam muito além do projeto, foi para não passar a vergonha de entregar um projeto vazio que a equipe trabalhou muito para criar um conceito, mas por este mesmo motivo, nenhum membro da equipe percebeu o quão bonito era este conceito e que merecia uma chance de ser desenvolvido. Foi talvez por um voto de confiança de que faríamos esta ideia se desenvolver que o RX nos deu a oportunidade de passar para a próxima etapa, a pré-aceleração, e depois, com muito trabalho para a próxima, e a próxima, até a etapa mundial em Paris, onde vencemos três dos cinco prêmios possíveis, incluindo a premiação principal, de “Melhor Equipe” além dos prêmios de “Melhor análise de custos” e “Projeto mais inovador” e tivemos a oportunidade de nos entupir de croissant vendo a torre Eiffel.

 

Um pouco do que vivenciamos lá da França:

 

Renault Experience
Jonata Rocha Fett
Jonata Rocha Fett Seguir

Engenheiro Eletrônico formado pela universidade FEEVALE, atual embaixador do RENAULT EXPERIENCE. Membro da OrniTwizy, equipe vencedora Renault Experience 2019 e da etapa mundial do Twizy Contest 2019.

Ler matéria completa
Indicados para você